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As plantas alimentícias não convencionais, também conhecidas como PANCs, são aquelas plantas que não são comuns de serem utilizadas na alimentação. Mas que apresentam um enorme potencial para enriquecer e diversificar nossa alimentação.

Essas plantas podem ser nativas (pitanga, caraguatá, chicória, jerivá), espontâneas naturalizadas (dente-de-leão, beldroega) e cultivadas exóticas (ora-pro-nóbis, açafrão, bertalha). Você conhece essas plantas ?

Antigamente nossos pais, avós , e pessoas principalmente das comunidades rurais conheciam e consumiam uma grande diversidade de plantas. Elas faziam parte da cultura alimentar o frango caipira com polenta acompanhado de salada de chicória-do-mato por exemplo. Outra hortaliça bastante apreciada era o mentruz, de sabor picante. Também muito utilizada na medicina popular em forma de alcoolatura para contusões, machucadura e reumatismo.

E o que aconteceu com essas plantas? Vários fatores levaram ao desuso dessa diversidade de plantas. Um deles foi a industrialização e a influência da mídia que ditaram o que comer, substituindo os alimentos locais pelos industrializados e pelas frutas e verduras disponíveis no mercado. Outro fator que está relacionado é a modernização conservadora da agricultura que também está associado à indústria alimentícia, que promoveu a mudança de policultivos para os cultivos homogêneos. Portanto, houve uma forte desvalorização dessas plantas, impondo que o bom era comprar nos mercados itens industrializados, alimentos que vem de fora.

Mas afinal, porquê consumir as PANCs?Essas plantas possuem uma composição nutricional superior às demais plantas ditas convencionais, como por exemplo, o ora-pro-nóbis e a moringa são ricas em proteínas assimiláveis pelo organismo. O caruru possui mais cálcio que a alface. E a beldroega que apresenta ômega-3.

E quais outras vantagens essas plantas têm? A maioria dessas plantas são extremamente rústicas, não são exigentes em fertilidade do solo, são mais resistentes aos insetos e doenças, além disso, são de fácil propagação, através de sementes ou de estacas (mudas).

Essas são características muito valorizadas pela Agroecologia, que desenvolve sistemas de produção agrícolas mais sustentáveis. E que procura agregar a biodiversidade local com a agrobiodiversidade cultivada, valorizando os saberes tradicionais das populações rurais.

Apresentamos algumas PANCs:

Capuchinha (Tropaeolummajus)

As flores e folhas podem ser consumidas em saladas, como condimentos de carnes, molhos, sopas.


Guavirova (Campomanesiaxanthocarpa)

As frutas são consumidas in natura, mas também podem ser preparadas em forma de doces, geleias, sucos, sorvetes.


Banana (Musa paradisiaca)

A banana é uma planta convencional. Porém, não é usual consumir a parte mais interna do caule como palmito. E o coração, também conhecido como mangará, pode ser preparado em forma de salada, refogado e farofa.


Salada de coração de banana.


Beldroega (Portulacaoleracea)

Pode ser consumida em forma de salada, refogada, em molhos e carnes.


Caraguatá (Bromeliaantiacantha)

Na medicina popular, a fruta quando madura é utilizada para preparar xarope utilizado nos casos de gripe, resfriado e bronquite. O consumo da fruta in natura é restrito por ser muito ácido e fibroso, mas a partir dos frutos podem ser preparados sucos, refrigerantes e geleias.


Pulmonária, peixinho-da-horta (Stachysbyzantina)

A principal forma de preparar é à milanesa (passa a folha no ovo batido com temperos a gosto, depois empana em farinha de preferência e frita), também pode ser misturado em molhos, carnes e omeletes.

Fonte: Pesquisadora Ana Claudia Rauber – / Recanto-Agroecológico-Primavesi – Cantagalo ( PR).

Postado por Pamela Lima - Data: 13/01/2019

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