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A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) chega aos 46 anos com muitos desafios, mas também várias conquistas. “A Embrapa está preparada para iniciar um novo círculo virtuoso para continuar garantindo ciência, tecnologia e inovação para um futuro ainda mais promissor do agronegócio brasileiro”, destacou o presidente da Embrapa, Sebastião Barbosa, ao abrir a cerimônia de comemoração dos 46 anos da Empresa, nesta quarta-feira (24), em Brasília (DF), no Pavilhão Ciência para a Vida.
O evento reuniu mais de 30 embaixadores, um reconhecimento, segundo o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Marcos Montes, da importância da Empresa para o agronegócio mundial. Ele participou da cerimônia representando a ministra Tereza Cristina.
Mais de 400 convidados participaram da solenidade, incluindo secretários de ministérios, embaixadores, parlamentares, representantes de organismos internacionais, reitores de universidades, parceiros da iniciativa privada, confederações de agricultura, cooperativas, organizações estaduais de pesquisa agropecuária e extensão rural, entre outras instituições.
 “A Embrapa é hoje o resultado de todo esforço e dedicação de seus empregados”, disse Sebastião Barbosa.
Ele lembrou o início da criação da Embrapa quando, apesar da existência da extensão rural e do crédito para financiamento agrícola, o que faltava era a base científica. “Justamente por isso foi criada a Embrapa que, desde então, tem respondido com resultados e exemplos bem sucedidos, como o seu Balanço Social, publicado anualmente”.
Nessa direção, Sebastião destacou, durante a cerimônia, os resultados do Balanço Social de 2018: para cada R$ 1,00 aplicado na Empresa foram devolvidos R$ 12,6 para a sociedade, um lucro de R$ 43, 52 bilhões gerado a partir do impacto econômico no setor agropecuário de apenas 165 tecnologias e cerca de 220 cultivares geradas pela pesquisa. O Balanço Social apontou também a liderança da Embrapa na produção científica entre as dez primeiras instituições com maior nível de produtividade, incluindo as universidades.
Outro impacto importante também revelado pelo Balanço Social é a taxa interna de retorno de 37,6%, que confirma a alta rentabilidade dos investimentos realizados pelo estado na Embrapa e a geração de quase 70 mil novos empregos em 2018.
Reconhecimento internacional:
Presente à mesa de abertura, Marcos Montes falou sobre a importância de mais de 30 embaixadores de diversos países estarem presentes ao evento. Para ele, sinônimo do reconhecimento da Embrapa para o agronegócio mundial.  “Somos a maior nação agrícola do planeta e a Embrapa está inserida neste processo”, enfatizou.
Montes ressaltou o significado dos quatro convênios assinados durante a cerimônia, com empresas públicas e privadas. “Capital e inteligência juntos no desenvolvimento da pesquisa agropecuária”, mencionou.
Acordos de cooperação:
Quatro acordos de cooperação foram assinados durante o evento, com diferentes instituições. O Acordo de Cooperação Geral com o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento do Brasil Central inclui a Embrapa no consórcio Brasil Central. Composto pelo Distrito Federal e os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Maranhão, Tocantins e Goiás, contribuirá para a construção de uma rede voltada para a promoção da agropecuária sustentável por meio do desenvolvimento e transferência tecnológica nas áreas de inovação, capacitação técnica, infraestrutura e logística, produção de alimentos e comercialização.
O Acordo de Cooperação Técnica com a Corteva Agriscience TM, Divisão Agrícola da DowDuPont, incentiva a colaboração entre a Embrapa e a instituição para o desenvolvimento de pesquisas na área de edição gênica para trabalhos na área de soja tolerante à seca e à fitonematóides.
“Esse acordo de colaboração representa a oportunidade de trabalharmos juntos na cooperação da tecnologia Crisp-Cas para edição genômica”, disse o presidente da Corteva Agriscience, para o Brasil e o Paraguai, Roberto Run. Para ele, um passo importante para lidar com os desafios da agricultura brasileira, especialmente os relacionados à soja tolerante à seca e aos fitonematóides.
“Exemplo que demonstra que nenhuma empresa, instituto ou país pode lidar sozinha com o desafio de alimentar uma população crescente no mundo, garantindo o progresso na cidade e no campo”, finalizou.
O Termo de Cooperação Técnico Financeira com a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) visa beneficiar cerca de quatro mil produtores de doze cidades nos estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Bahia, fomentando a produção agropecuária por meio de ações integradas junto à comunidade. Serão investidos R$ 7,2 milhões para o fomento de inovações tecnológicas e o empreendedorismo agrícola no entorno das barragens do Complexo de Paulo Afonso e as Usinas Hidrelétricas de Itaparica e Xingó.
O contrato de parceria em pesquisa, desenvolvimento e inovação com a Associação de produtores de uva do Vale do São Francisco visa disponibilizar, com o apoio do setor produtivo, de forma rápida, novas cultivares para impulsionar a competitividade dos viticultores do Semiárido brasileiro tanto no mercado interno quanto nas exportações.
Necessidade de uma política agrícola integrada:
Representando os parlamentares da Frente Parlamentar da Agricultura, o deputado federal Alceu Moreira (MDB, RS), que preside a frente, fez questão de lembrar que a Embrapa é uma empresa pública que pesquisa para todos os produtores rurais, desde o pequeno até o grande. O parlamentar chamou atenção para a necessidade de investimento financeiro da pesquisa, bem como a criação de uma política agrícola integrada. “Enquanto uma última propriedade não tiver acesso às pesquisas da Embrapa, certamente não estaremos cumprindo o nosso papel. É preciso extensão rural, assistência técnica e política agrícola com visão sistêmica”, afirmou.
Por sua vez, o senador da república Luís Carlos Heinze (PP, RS) destacou a importância da história construída pela Embrapa ao longo de seus 46 anos. “Parabenizo a empresa pelos convênios celebrados hoje envolvendo produtores de uva, empresa multinacional, companhia hidrelétrica e consórcios. São parcerias assim que irão multiplicar e muito a capacidade de uma empresa pública como a Embrapa”, reconheceu.
Lançamentos:
Nas últimas quatro décadas, a Embrapa contribuiu para que o Brasil aumentasse em cinco vezes a produção de grãos, em 240% a produção de trigo e milho, em 315% a produção de arroz, sem contar a elevação da produtividade do setor florestal em 140%, e a do setor cafeeiro, que foi triplicada. Daqui pra frente a expectativa é ainda maior. Maturidade tecnológica, inovação aberta, parcerias e proximidade com o setor produtivo são frentes em que a Empresa trabalha para avançar.
Com essa mesma expectativa, a Embrapa lançou hoje seis importantes tecnologias: cultivar de alface mais precoce e resistente ao calor; cultivar de porta-enxerto para goiabeira; portfólio de bioinseticidas para o controle da lagarta do cartucho, principal praga do milho; Nematec – agente de controle biológico para a vespa da madeira, principal praga de plantios de pinus no Brasil; tecnologia para produção industrial de presuntos crus e copas defumadas de ovinos (Aprovinos); aplicativo APP Leite para inclusão tecnológica na atividade de pecuária leiteira.
Além dos lançamentos das novas tecnologias, foram apresentadas hoje a Página de Negócios e Vitrine Tecnológica construída para o relacionamento com empresas interessadas em parcerias e e o ambiente digital Tecnologia e Inovação para o Semiárido: transformações que levam desenvolvimento social e econômico para a região.

Além dos parlamentares e do secretário-executivo do Mapa, participaram da mesa de autoridades o ex-presidente da Embrapa, Eliseu Alves; o ex-ministro do Mapa e presidente do Instituto Fórum do Futuro, Alysson Paulinelli; o presidente do Banco do Nordeste, Romildo Carneiro Rolim, e o embaixador do Mali, Mamadou Macki Traoré.
Homenageados: 
Durante as comemorações, a Embrapa homenageou pessoas e instituições que têm contribuído significativamente para o avanço da ciência, da tecnologia e da inovação na agricultura. Ao todo, a cerimônia reuniu personalidades que contribuíram em diferentes campos do conhecimento, como o pesquisador da Embrapa Rondônia (Porto Velho, RO), Enrique Anastácio Alves, que lidera,  em parceria com os indígenas da região, o Projeto Tribos que tem como foco o desenvolvimento de ações de capacitação para a produção sustentável de cafés de qualidade em Rondônia junto às 100 famílias indígenas de diversas etnias.
Também foi homenageado o presidente da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Lopes de Freitas, que atua há mais de 20 anos em prol da organização e desenvolvimento do cooperativismo no Brasil. O agricultor familiar Francisco José da Cunha, da Fazenda Lages, em Quixeramobim (CE) também recebeu o reconhecimento da Embrapa. A homenagem prestada é justamente pelo trabalho desenvolvido com culturas alimentares, algodão e animais domésticos.
Nascido em Colorado (RS), o produtor rural Luiz Fiorese foi homenageado por sua longa parceria com a Embrapa para a produção de sementes de soja convencional. Ele atua nesse mercado para vários estados como Mato Grosso, Rondônia, Rio Grande do Norte, Goiás, Tocantins, Minas Gerais e também países da América do Sul e da África.
“A agricultura no Brasil é o que é porque contamos com as ações da Embrapa de transferência de conhecimento e ciência. Há 10 anos entrei no ramo de sementes de soja convencional, utilizando variedades melhoradas da Embrapa. Sementes tão produtivas e resistentes quando às transgênicas. Por isso, afirmo que o valor da Embrapa vai muito além do que foi apresentado hoje no Balanço Social”, afirmou o produtor rural. Para ele, a próxima revolução no Cerrado será a produção de trigo de sequeiro, o que já está acontecendo.
Engenheiro Agrônomo e ex-pesquisador da Embrapa Sérgio Roberto Dotto foi homenageado por suas pesquisas para o avanço da cultura do trigo no Cerrado. José Geraldo Di Stefano é analista da Embrapa Algodão e recebeu a homenagem pelo trabalho desenvolvido com países africanos para o cultivo do algodão em sistema de plantio direto. Francisco Aragão e Josias Correa de Faria são pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF) e da Embrapa Arroz e Feijão (Santo Antônio de Goiás, GO), respectivamente. Eles receberam a homenagem da Embrapa por suas pesquisas em biotecnologia.

Publicações :
Para celebrar os 46 anos, também foram apresentadas importantes publicações editadas pela Embrapa e que contribuíram nesses últimos anos para a divulgação científica: Mulheres dos Cafés no Brasil; Soja y Abejas; Mundo Aquático Submerso; O Legado de Darwin e a Pesquisa Agropecuária; Mendel – das Leis da Hereditariedade à Engenharia Genética.

Fonte: Embrapa

Postado por Jefferson Silva - Data: 25/04/2019

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