No sábado, 31 de janeiro, cerca de 300 pessoas participaram de uma reunião comunitária no Acampamento Herdeiros da Terra, localizado entre os municípios de Rio Bonito do Iguaçu e Nova Laranjeiras, na região Centro-Sul do Paraná. O encontro teve como principal objetivo avaliar os avanços alcançados pela comunidade ao longo dos últimos anos, com destaque para a construção de quatro pontes de alvenaria, que hoje já estão à disposição da população e têm transformado a rotina das famílias.
A reunião também foi marcada por relatos, agradecimentos e reflexões sobre a trajetória de lutas enfrentadas desde a chegada das famílias ao local, em 2014, período em que a falta de infraestrutura tornava o dia a dia extremamente difícil.
Das dificuldades à organização comunitária
A locomoção era um dos maiores desafios. Em dias de chuva, moradores precisavam atravessar rios utilizando cordas amarradas de uma margem à outra, o que dificultava o acesso às residências, o transporte escolar e, principalmente, o escoamento da produção, com destaque para o leite. Diante desse cenário, a própria comunidade se organizou para buscar soluções emergenciais. Com o apoio de moradores, entre eles Reinaldo de Oliveira, conhecido popularmente como Bujão, foram construídas pontes de madeira, que atenderam a população por um período. No entanto, uma grande enchente em 2023 destruiu todas as estruturas, reacendendo a necessidade de investimentos definitivos.
Mobilização e conquistas
Segundo Reinaldo de Olieira, a reunião também serviu para resgatar todo o histórico até a conquista atual.
“Um dos pontos discutidos hoje é a questão da chegada nessa localidade, o que avançou e o que não avançou, inclusive as pontes novas de alvenaria que foram reivindicadas e que hoje já estão construídas. Mas tudo isso tem um histórico até chegar a esse ponto”, destacou.
Reinaldo também fez questão de agradecer o envolvimento coletivo e o apoio institucional que viabilizou as obras.
“Quero agradecer a todos os moradores da Linha Bujão, a comunidade Guajuvira, toda a nossa Nova Laranjeiras, as autoridades municipais, estaduais e o Governo Federal, junto à Defesa Civil e ao presidente Lula, que atendeu uma reivindicação iniciada por mim no final de 2023 e construída por várias mãos. São obras que somam mais de R$ 2,2 milhões, com seis pontes de alvenaria: quatro no Rio Trigal, uma no Rio das Cobras e uma no Rio da Prata”, afirmou.
Reconhecimento da comunidade
Para os moradores, as pontes representam mais do que obras de infraestrutura: simbolizam dignidade, segurança e desenvolvimento. Adão Luiz da Rosa destacou o esforço contínuo de Reinaldo ao longo dos anos.
“Eu sei o esforço do nosso amigo Bujão, que retificou as pontes de alvenaria e sempre correu atrás. Para retribuir, colocamos o nome de Linha Bujão como referência, porque ele fez o papel de vereador, de prefeito, de tudo o que foi preciso. É uma pessoa que, quando a gente precisa, está sempre à disposição”, ressaltou.
Já Cleverson Fonseca Sutil relembrou as dificuldades enfrentadas antes da construção das primeiras pontes.
“Quando nós chegamos aqui não tinha ponte, não tinha como o pessoal chegar nos seus lotes. As crianças não conseguiam ir para a escola e o leiteiro não conseguia chegar para buscar a produção. O Bujão tirou a camisa, ajudou com mão de obra e financeiramente para construir as pontes. Depois da enchente de 2023, ele novamente ajudou a reconstruir, pensando no transporte escolar e na locomoção de todos”, relatou.
Avanços que fortalecem o futuro
Além das pontes, outras conquistas também foram lembradas durante a reunião, como a construção do barracão comunitário, espaço fundamental para encontros e organização do grupo. Para Maria Zélia, essas vitórias refletem anos de persistência.
“É com muito orgulho que a gente pode agradecer pelas lutas e conquistas. As pontes de madeira vieram primeiro, agora as de alvenaria já são realidade. Também tivemos avanços nas estradas, na documentação junto ao INCRA e na organização do grupo. Só temos a agradecer a quem esteve desde o início lutando junto com a gente”, afirmou.
A moradora Rosimeri também reforçou a transformação vivida pela comunidade.
“Na época que chegamos aqui não tinha estrada e não tinha ponte. Mas já tinha um companheiro, o Bujão, que abraçou a causa. Ele contribuiu com mais de 60 dias de serviço e recursos próprios. Hoje, ver essa realidade diferente mostra que valeu a pena toda a luta”, concluiu.
Uma história construída coletivamente
Criado em 1º de maio de 2014, o Acampamento Herdeiros da Terra é resultado da organização de famílias que, ao longo de mais de uma década, transformaram dificuldades em conquistas concretas. As pontes de alvenaria simbolizam não apenas mobilidade, mas o fortalecimento da comunidade e a certeza de que a união segue sendo o principal caminho para novos avanços. Nos próximos dias as obras serão inauguradas oficialmente.
Nova conquista
Reinaldo Oliveira (Bujão) destacou uma importante conquista recente para as famílias do movimento. Segundo ele, a maior vitória do momento foi a aquisição da área conhecida como Pinhal Ralo, destinada à criação de um assentamento da reforma agrária.
A negociação foi oficialmente concluída no dia 15 de janeiro de 2026, envolvendo o Governo Federal, o INCRA, as famílias beneficiadas e demais autoridades. Ao todo, a área adquirida soma 22.400 hectares, que agora serão destinados ao assentamento.
Para Reinaldo, trata-se de uma conquista histórica, que representa não apenas o acesso à terra, mas também mais dignidade, moradia e melhores condições de vida para as famílias, além de contribuir diretamente para o desenvolvimento da região.
Ele reforça a importância desse avanço e destaca que essa conquista atende a um direito legítimo das famílias que lutam por um pedaço de terra e por um futuro melhor.
Fonte: Acampamento Herdeiros da Terra/Divulgação
Postado por: Jefferson Silva
11/02/2026