Diante do isolamento social devido ao novo coronavÃrus, a exposição solar fica prejudicada, mas não deve ser esquecida. A exposição moderada ao sol é importante para sintetização da vitamina D. Entre os benefÃcios da vitamina D (VD) estão a melhora do sistema imune. Â
A vitamina D é um nutriente com função de hormônio que age em diversas áreas do organismo. “Sem dúvida, manter nÃveis normais de vitamina D está associado a menor taxa de infecções.
Vitamina D está envolvida no processo de defesa do organismo contra agentes infecciosos e células cancerÃgenas. Isso se concluiu quando se compararam pessoas com baixo nÃvel de VD, versus, altos nÃveis de VDâ€, explicou o coordenador cientÃfico da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Helio Miot.
Segundo o médico, no mundo tem sido observados nÃveis baixos de vitamina D em toda a população. " o que pode comprometer o funcionamento do organismo como um todo, especialmente as pessoas de risco como gestantes, idosos, imunossuprimidos, indivÃduos em pós-operatório de cirurgia bariátrica, quem tem osteoporose e doenças intestinais. Esses indivÃduos devem ter seu nÃvel de vitamina D testado e, se forem baixos, receber a suplementaçãoâ€.
O médico explica que grande parte da vitamina D é produzida pela pele, sendo mais de 90% pela exposição solar habitual. “Então não é aquele indivÃduo que vai se bronzear na piscina, mas é durante aquela caminhada, ao estender uma roupa no varal, tudo isso promove uma grande sÃntese de vitamina D. Outra grande parte ocorre pela alimentação, com alimentos como peixes, ovos, derivados de leite e algumas frutas. Esses alimentos têm uma quantidade de vitamina D.  Essas são as duas principais fontes de vitamina D para o organismo: exposição solar leve e alimentaçãoâ€.
Exposição moderada
Com a situação atÃpica do isolamento social, a população vai diminuir a exposição ao sol. Mas, segundo o especialista, a exposição deve continuar sendo leve. “A sÃntese acontece muito rapidamente, e se houver um excesso de exposição, o consumo de vitamina D acaba sendo comprometido. Então não se recomenda, nem mesmo com filtro solar, ficar se expondo, intencionalmente. As pessoas de risco, como idosos, obesos, quem está em pós-operatório de cirurgia bariátrica, mulheres na menopausa, são indivÃduos de alto risco para hipovitaminose D. Esses indivÃduos devem conhecer o seu nÃvel e se forem baixos, devem repor de forma oral [com medicamentos]â€, orienta Miot. Â
O médico recomendou que também é importante a manutenção da atividade fÃsica nesse perÃodo. “O isolamento tende a aumentar o sedentarismo, isso faz hipotrofia dos músculos, faz uma redução do depósito de cálcio nos ossos, maximizando os riscos de pessoas com osteoporose. É importante ter uma atividade fÃsica mÃnima nessa quarentena, manter as atividades habituais de exposição ao sol com proteção, evitando-se os horários de risco. Os indivÃduos que são deficitários de vitamina D devem fazer a suplementação segundo orientação médica, e aqueles que querem se prevenir quanto a essa pior sÃntese de vitamina D mediante o confinamento, devem ter uma alimentação rica nessa vitaminaâ€.
A dermatologista e especialista em estética Hellisse Bastos dá uma dica para tomar sol de forma leve. “O ideal é ficar com a palma da mão virada para o sol em torno de 5 a 10 minutos no máximo. Sentiu que a palma da mão está quente, a gente já está sintetizando vitamina D. Outra dica é abrir todas as janelas, aproveitar onde bate sol na sua casa e deixar as janelas bem abertas para iluminar o localâ€.
Imunidade
Na opinião de Miot, todos devem manter nÃveis normais de vitamina D, não somente para a imunidade. “O grande problema que envolve a vitamina D e a imunidade é que, na maior parte das vezes, a vitamina D está baixa por um problema crônico, medicamentos, idade avançada, inflamações no intestino, sedentarismo, diabetes, cirurgia bariátrica, desnutrição, menopausa. Essas causas subjacentes reduzem a imunidade, assim como reduzem a vitamina Dâ€.
Ele explica que, nesse caso, não adianta dar vitamina D, é preciso corrigir a causa da queda dessa vitamina.  “Caso contrário, a imunidade não vai se restabelecer. Por essa razão, a posição da SBD é que se conheça seus nÃveis de vitamina D. Se estiverem normais, indicamos vida normal e boa alimentação, com exposição solar habitual, com filtro solar. Se estiver baixa, recomendamos reposição de vitamina D e uma investigação de por quê está baixaâ€.
O médico alerta que o excesso de vitamina D também pode causar distúrbios. “É certo que queremos fazer de tudo para nos protegermos de infecção. É certo que nÃveis baixos de vitamina D estejam associados a maior risco de infecção. Mas, não é certo que todos suplementem vitamina D, indiscriminadamente. Pois o excesso também tem efeito tóxico aos rinsâ€, conclui Miot.
Crianças
Para as crianças, que necessitam da vitamina D para o crescimento e formação óssea, mas que estão também em isolamento, a recomendação do pediatra Antonio Carlos da Silveira é aproveitar o sol da janela ou das varandas, apenas com braços ou pernas descobertos. “A vitamina D é importante ao longo da vida, mas principalmente para as crianças em crescimento, a presença do sol é fundamental. Mesmo durante o isolamento pela pandemia, se expor ao sol é muito importante. Pode ser até um sol na janela, no quarto, mas nunca por meio de vidros; se tiver uma sacada melhor ainda. Tomar até 10 minutos é necessário para a sintetização da vitamina."
Para o pediatra, as crianças devem aproveitar o outono, já que no inverno fica mais reduzido o perÃodo de sol. “É importante aproveitar esse perÃodo, pois com o inverno chegando fica reduzida a incidência solarâ€, lembra o médico.
Para todos os grupos populacionais, o ideal é que a exposição ao sol ocorra até as 10h e após as 15h. Fora desse perÃodo, a incidência solar pode ser crÃtica para a ocorrência do câncer de pele e outras doenças da pele.
Fonte: Agência Brasil
Postado por: Jefferson Silva
06/04/2020